Auto-estima

INTRODUÇÃO

             Percebemos hoje que há uma grande busca de pessoas que saibam relacionar-se consigo mesmo, confiantes nas suas capacidades e nos seus valores.

Pessoas com auto-estima, são pessoas que fornecem a melhor base possível para a cooperação social, a benevolência e o progresso. Em outras palavras, quanto maior o nível da auto-estima do indivíduo, mais ele tratará os outros com respeito, gentileza e generosidade. As pessoas que não vivênciam o amor-próprio tem pouco ou nenhuma capacidade de amar os outros. As pessoas que vivênciam dúvidas e inseguranças profundas tendem a ver os outros seres humanos como assustadores e hostis.

Diante desta realidade é que surge a importância de entender o que é  auto-estima.

1  O QUE É AUTO-ESTIMA

 Auto-estima é a disposição para experimentar a si mesmo como alguém competente para lidar com os desafios básicos da vida e ser merecedor da felicidade.  (Nathaniel Branden, 2002, p.50)

Em outras palavras, a auto-estima é a soma da autoconfiança com o auto-respeito. Ela reflete o julgamento implícito da nossa capacidade de lidar com os desafios da vida (entender e dominar os problemas) e o direito de ser feliz ( respeitar e defender os próprios interesses e necessidades).

A capacidade de desenvolver uma autoconfiança e um auto-respeito é inerente à nossa natureza, pois a capacidade de pensar é a fonte básica da nossa competência. O fato de que estamos vivos é a fonte básica do nosso direito de lutar pela felicidade.

Pessoas de auto-estima saudável podem ser derrubadas pelo excesso de problemas (doenças, morte, desemprego, perdas, etc.) mas são rápidas em recuperar-se. Dão a volta por cima, porque pensam positivo.

As pessoas com auto-estima elevada não precisam se ver como superiores às outras; não tentam provar seu valor medindo com um padrão comparativo, seu prazer está em ser como são, não em serem melhores que as outras pessoas.

Pessoas que não se aceitam como são e não se conhecem, vivem numa contínua ansiedade baseada na preocupação exagerada com o outro e com o amanhã.

A auto-estima não substitui um teto nem comida, mas aumenta para a pessoa a probabilidade de ela conseguir satisfazer essas necessidades. A auto-estima não substitui o conhecimento e as habilidades necessárias para se agir com eficiência no mundo, mas aumenta a probabilidade de serem adquiridos.

Desenvolver a auto-estima é expandir nossa capacidade de ser feliz.

Quanto maior a nossa auto-estima, mais bem equipados estaremos para lidar com a adversidade da vida; quanto mais flexíveis formos, mais resistiremos à pressão de sucumbir ao desespero ou à derrota.

Quanto maior a nossa auto-estima, maiores serão as nossas possibilidades de manter relações saudáveis.

Quanto maior a nossa auto-estima, mais alegria teremos pelo simples fato de ser, de despertar pela manhã, de viver dentro dos nossos próprios corpos. São essas as recompensas que a nossa autoconfiança e o nosso auto-respeito nos oferecem.

Auto-estima, seja qual for o nível, é uma experiência íntima; reside no cerne do nosso ser. É o que eu penso e sinto sobre mim mesmo, não o que o outro pensa e sente sobre mim.

Ninguém pode respirar por nós, ninguém pode pensar por nós, ninguém pode nos dar autoconfiança e amor-próprio.

A aclamação dos outros não cria a nossa auto-estima, também não o fazem o conhecimentos, a competência, as posses materiais, o casamento, a paternidade, a  dedicação à caridade, as conquistas sexuais ou as cirurgias plásticas. Essas coisas podem às vezes fazer com que nos sintamos melhor sobre nós mesmos temporariamente, ou mais confortáveis em situações particulares, mas conforto não é auto-estima.

A tragédia é que existem muitas pessoas que procuram a autoconfiança e a auto-estima em todos os lugares, menos dentro delas mesmas, e, assim fracassam em sua busca.

Faz-se necessário então uma volta para o seu interior, e isso realmente torna-se um grande desafio, dado que o homem moderno resiste a parar e admitir que muita coisa não vai bem por sua causa e não por causa dos outros.

 2  COMO TRABALHAR A AUTO-ESTIMA

Fomos educados a não sermos nós mesmos, mas aquilo que os outros queriam e achavam ser o certo, ser o melhor para nós mesmos. Muitas vezes, impondo modos negativos, utilizando mecanismo de vergonha, de culpa. Crescemos então nos vendo e julgando de modo negativo.

De modo geral, nossos pais não nos ensinaram a acreditar em nós mesmos, nas nossas capacidades, possibilidades e potencialidades.

Tudo isso é verdade, mas diante disso tudo podemos agir de modo diferente.

Naturalmente, não é fácil mudar esquemas que carregamos dentro de nós desde pequenos e que se tornaram uma parte da nossa vida. E o que é preciso fazer para mudar, para superar certos condicionamentos, certos mecanismos de defesa, a culpa, a vergonha e outras coisas impostas a nós?

Em primeiro lugar, é preciso querer mudar. Ninguém pode mudar ninguém, ninguém pode fazer nada por ninguém, se esse alguém não quer mudar. É preciso querer assumir a vida nas próprias mãos e ser dono da própria história.

Em segundo lugar, é preciso ter paciência. Nossos preconceitos e nossa atitude existencial anterior não serão eliminados num golpe. A mudança é possível, mas requer trabalho, requer tempo.

Em terceiro lugar, ter consciência de que a mudança acontece no dia-a-dia. É o famoso ” só por hoje ” que poderá nos ajudar a mudar.

Por isso os primeiros passos para construir a auto-estima podem ser difíceis, mas não impossíveis.

O que determina o nível da auto-estima é o que o indivíduo faz. Os atos da pessoa são decisivos. As atitudes são escolhas que nos confrontam a cada minuto da nossa existência. Uma “atitude ” envolve a disciplina de agir de uma certa maneira, vezes e vezes seguidas, consistentemente.

É preciso dar pequenos passos em vez de grandes saltos, para isso, contamos com seis atitudes que ajudaram a desenvolver a auto-estima.

 

3  SEIS ATITUDES QUE AJUDAM A DESENVOLVER A AUTO-ESTIMA

 

3.1 A atitude de viver conscientemente

 

Conscientemente em seu sentido básico é o estado de estar ciente de perceber alguns aspecto da realidade. Viver conscientemente significa querer estar ciente de tudo o que diz respeito a nossas ações, nossos propósitos, valores e objetivos – ao máximo de nossa capacidade, qualquer que seja ela – e comportamo-nos de acordo com aquilo que vemos e conhecemos.

Viver com consciência é viver responsavelmente perante a realidade.

Viver conscientemente envolve:

– Ter a mente ativa em vez de passiva;

– Ter uma inteligência que deriva prazer de seu próprio funcionamento;

– Estar “no momento”, sem perder o contexto mais amplo;

– Buscar os fatos relevantes em vez de afastar-me deles;

– Querer saber “onde estou” em relação aos meus vários objetivos e projetos (pessoais e profissionais), e se estou tendo sucesso ou fracassando;

– Querer saber se minhas ações estão alinhadas com as minhas intenções;

– Buscar o feedback do meio ambiente de modo a ajustar ou corrigir meu procedimento se for necessário;

– Perseverar na tentativa de entender, a despeito das dificuldades;

– Ser receptivo a novos conhecimentos e estar disposto a rever os antigos pressupostos;

– Estar disposto a ver e corrigir os erros;

– Buscar sempre expandir a percepção – assumir um compromisso com o aprendizado – , portanto, uma maneira de viver comprometida com o crescimento;

– Querer entender o mundo ao meu redor;

– Interessar-me não só em conhecer a realidade externa como também a interna, a realidade de minhas necessidades e aspirações, de meus sentimentos e motivos, para não ser um estranho ou um mistério para mim mesmo;

– Querer estar ciente dos valores que me movem e me guiam, bem como conhecer suas raízes, para que eu não seja dirigido por valores que eu tenha adotado irracionalmente, ou aceito de outros, de forma não crítica.

3.2 A atitude da auto-aceitação

Sem auto-aceitação a auto-estima é impossível. Enquanto a auto-estima é algo que experimentamos, a auto-aceitação é algo que fazemos.

A auto-aceitação refere-se a uma orientação de valor próprio e ao compromisso consigo mesmo que deriva do fato de estar vivo e consciente. Envolve a declaração: ” Escolho valorizar a mim mesmo, tratar-me com respeito, lutar por meu direito de ser. ”

A auto-aceitação envolve nossa abertura para aceitar a realidade tal como se apresenta hoje. Revelo-me e me manifesto com estou e como em sinto.

“Aceitar” é mais do que simplesmente “reconhecer” ou “admitir”. É vivênciar, manter-se na presença de , contemplar a realidade de, absorver em minha consciência. Necessito abrir-me para as emoções indesejadas e experimentá-las com plenitude e não apenas reconhece-las superficialmente. Entrar em contato com nossos sentimentos tem um poder de cura direto.

A auto-aceitação é a precondição para a mudança e o crescimento. Assim, se eu me confrontar com um erro que tinha cometido, ao aceitá-lo como meu, estarei livre para tirar disso uma lição e fazer  melhor no futuro. Não posso aprender com um erro que não aceito ter cometido. Não posso vencer um medo cuja realidade eu nego.

A auto-aceitação envolve a idéia da simpatia, de ser amigo de mim mesmo.

Suponhamos que eu tenha feito algo de que me arrependo, ou do qual me envergonho, e por isso me reprovo. A auto-aceitação não nega a realidade, não argumenta que o erro está certo, mas questiona o contexto no qual a ação foi empreendida. Quer entender o porquê. Sejam quais forem os defeitos e imperfeições, aceito-os sem reservas e completamente. Lembre-se: “Aceitar” não significa necessariamente “gostar”, mas significa vivênciar, sem negar ou evitar, que o fato é esse. Quando o reconhecemos, vivenciamos e aceitamos, ele começa a se dissolver. Aceitar que sinto raiva, ciúme, medo, vergonha ou outras sensações, é o primeiro passo para a mudança e aceitação de mim mesmo.

3.3 A atitude da auto-responsabilidade

Para sentir-me competente perante a vida e merecedor da felicidade, preciso sentir que tenho algum controle sobre a minha vida. Isso requer que eu esteja disposto, a assumir a responsabilidade pelos meus atos e que eu alcance meus objetivos, o que significa assumir a responsabilidade por minha própria vida e por meu bem-estar.

A atitude da auto-responsabilidade envolve as seguintes constatações:

Sou responsável pela realização de meus desejos.

Sou responsável por minhas escolhas e meus atos.

Sou responsável pelo nível de consciência com que trabalho.

Sou responsável pelo nível de consciência com que vivo os meus relacionamentos.

Sou responsável por meu comportamento com os outros – colegas de trabalho, sócios, clientes, cônjuge, amigos e filhos.

Sou responsável pela maneira como priorizo meu tempo.

Sou responsável pela qualidade de minhas comunicações.

Sou responsável por minha própria felicidade.

Sou responsável por aceitar, ou escolher, os valores pelos quais vivo.

Sou responsável pelo aumento de minha auto-estima. Ela é gerada interiormente. Devemos ser adultos, tornando-nos responsáveis por nós mesmos.

Pessoas auto-responsáveis não buscam álibis nem desculpas. São, caracteristicamente, orientadas para a busca de uma solução.

Sem metas e esforços produtivos continuamos crianças para sempre.

Ninguém pode pensar com a mente do outro. Aprendemos um com o outro, é claro, mas o conhecimento implica compreensão, não mera imitação ou repetição. A escolha que fazemos é crucial para o modo como nos sentimos aos nossos próprios olhos, bem como pelo tipo de vida que criamos.

 

  • A atitude da auto-afirmação

 

Auto-afirmação é honrar minha vontades, minhas necessidades e meus valores, buscando formas apropriadas de expressá-los na realidade.

É simplesmente uma disposição para ficar ao meu próprio lado, para ser abertamente quem sou, para tratar a mim mesmo com respeito em todos os meus contatos humanos. É  recusar-me a falsificar a mim mesmo para ser apreciado.

Praticar a auto-afirmação é viver com autenticidade, é falar e agir de acordo com minhas convicções e os meus sentimentos mais íntimos.

Tenho que ter a consciência de que a minha vida não pertence aos outros e de que não estou neste mundo para corresponder às expectativas alheias. Significa ter a vida nas próprias mãos e ser responsável pela própria existência.

A auto-estima saudável envolve a disposição para enfrentar os desafios da vida, fazendo de tudo para vencê-los.

 

  • A atitude da intencionalidade

 

Viver sem propósito é viver à mercê do acaso – de que algo aconteça, de um telefonema, de um encontro – , porque não há critérios pelos quais julgar o que vale e o que não vale a pena ser feito. Forças exteriores nos jogam de um lado para o outro, como uma rolha flutuando na água, sem que tenhamos a iniciativa pessoal de estabelecer um rumo específico. Nossa orientação para a vida é reativa em vez de próativa.

Viver intencionalmente é usar os poderes que temos para atingir os objetivos que selecionamos: estudar, formar uma família, ganhar dinheiro, começar um novo negócio, lançar um novo produto no mercado, solucionar um problema científico, construir uma casa de veraneio, etc.. São os nossos objetivos que nos lançam à frente, que evocam o exercício de nossa faculdades, que energizam nossa existência.

Viver de maneira intencional e produtiva exige que cultivemos dentro de nós a capacidade de autodisciplina, que, por sua vez, é a capacidade de organizar o comportamento ao longo do tempo, em função de tarefas específicas. Ninguém vai se sentir competente para vencer os desafios da vida se não tiver a capacidade de autodisciplina. A autodisciplina exige que se seja capaz de adiar uma gratificação imediata em nome de um objetivo remoto. Essa é a capacidade de projetar conseqüências futuras – pensar, planejar e viver a longo prazo. Nem um indivíduo pode progredir, sem essa atitude.

Como uma maneira de agir no mundo, a atitude de viver intencionalmente envolve as seguintes questões centrais:

– Assumir a responsabilidade de formular conscientemente seus próprios objetivos e propósitos. Se quisermos ter o controle de nossa vida, precisamos saber o que queremos e onde desejamos chegar.

– Preocupar-se em identificar os atos necessários para alcançar os objetivos estabelecidos. Devemos nos perguntar: o que preciso fazer? Que metas assumir? O sucesso na vida é para aqueles que agem.

– Monitorar o comportamento para que ele esteja em sintonia com os objetivos estabelecidos. Se nos afastamos deles às vezes é preciso voltar às intenções originais, outras vezes reformulá-las.

– Prestar atenção aos resultados dos próprios atos, para saber se eles levam ao que se quer chegar. Numa economia dinâmica, as estratégias e táticas de ontem não se adaptam necessariamente aos dias de hoje ( a formação do passado não é a mesma de hoje).

A raiz da nossa auto-estima não são nossas realizações, mas as atitudes geradas interiormente que, entre outras coisas, nos possibilitam realizar algo.

Se eu não fizer alguma coisa, nada vai mudar.

Viver intencionalmente significa não fechar os olhos nem para o presente, nem para o futuro, mas integrar um e outro em nossas experiências e percepções. Corresponde de modo significativo à auto-responsabilidade.

 

3.6 A atitude da integridade pessoal

 

Integridade é a integração dos ideais, das convicções, dos critérios e das crenças – e do comportamento. Quando este é congruente com os valores que professamos, quando os ideais e a prática se coadunam, temos integridade.

Para isto é preciso ter princípios de comportamento – convicções morais sobre o que é e o que não é apropriado – julgamentos sobre as ações que são certas e erradas.

Quando nos comportamos de forma conflitante com o que julgamos apropriado, perdemos o respeito por nós mesmos. Respeitamo-nos menos. E se essa política se tornar um hábito, confiaremos menos em nós mesmos, ou deixaremos de confiar completamente.

Integridade significa conseqüência. Palavras e comportamento se equiparam. Há pessoas nas quais confiamos e outras nas quais não confiamos. Se buscarmos uma causa para isso, veremos que a congruência é fundamental. Confiamos na congruência e desconfiamos da incongruência.

Se eu ajo em desacordo com o que eu mesmo considero certo, e se meus atos colidem com os valores expressos por mim, então estarei agindo contra o meu julgamento. Estarei traindo aquilo que penso. A falta de integridade debilita a mim mesmo e contamina meu senso do self. Prejudica-me como nenhuma censura ou rejeição externas poderiam fazê-lo.

Vamos refletir sobre a culpa e sobre como é possível resolvê-la em situações em que somos pessoalmente responsáveis. De maneira geral, cinco passos são necessários para restaurar o senso de integridade com relação a uma falha em  particular.

  • Temos de admitir o fato de que fomos nós que agimos de determinada maneira. Temos de encarar e aceitar a plena realidade do que fizemos sem recusar ou omitir nada. Admitimos, aceitamos, assumimos a responsabilidade.
  • Procuramos entender o que fizemos e por quê. Fazemos isso compassivamente (conforme discutimos na prática da auto-aceitação), mas sem justificações escapistas.
  • Se há outras pessoas envolvidas, e em geral há, reconhecemos explicitamente diante delas o que fizemos. Dizemo-lhes que sabemos quais são as conseqüências de nosso comportamento. Reconhecemos como foram afetadas por nossa conduta. E dizemo-lhes que entendemos o que sentem.
  • Faremos tudo o que for possível para reparar ou minimizar o dano que causamos.
  • Prometemos firmemente comportarmo-nos de modo diferente no futuro.

Sem todos esses passos,  vamos  nos  sentir  culpados  por um mau comportamento,

mesmo que  ele tenha acontecido há muito anos, mesmo que nosso psicoterapeuta diga que todos cometemos erros, e mesmo que a pessoa prejudicada nos perdoe. Nada disso será suficiente; a auto-estima continuará insatisfeita.

Às vezes tentamos corrigir, sem nem admitir ou reconhecer o que fizemos. Ou pedimos constantemente desculpas. Ou fazemos o impossível para ser gentis com a pessoa que magoamos sem nunca admitirmos o erro explicitamente. Ou ignoramos o fato de que existem atitudes específicas que podem ser tomadas para reparar o mal causado. É claro que algumas vezes é impossível reparar o mal , mas até isso tem de ser aceito para que possamos ficar em paz; não se pode fazer mais do que é possível. Mas, se não fizermos o que é possível e apropriado, a culpa tende a persistir.

Quando a culpa é conseqüência de uma falha da integridade, nada menos que outro ato de integridade poderá corrigir essa falha.

Percebemos então que os comportamentos que geram a boa auto-estima também são expressões da mesma. Viver conscientemente é tanto causa como efeito da auto-eficiência e do auto-respeito, o que também vale para a auto-aceitação, a auto-responsabilidade e todas as outras atitudes já descritas.

Quanto mais conscientemente vivo, mais confio no que penso e mais respeito o meu valor; e se confio no que penso e respeito o meu valor, é natural que eu viva conscientemente. Quanto mais vivo com integridade, melhor é minha auto-estima; e se tenho boa auto-estima, é natural que eu viva de maneira íntegra.

Essas atitudes são ideais para nos guiar. E – isso dificilmente pode ser um exagero – elas não têm de ser vividas ” com perfeição ” o tempo todo para causar um impacto benéfico em nossa vida. Pequenas melhoras fazem diferença.

À medida que essas seis atitudes vão se integrando à nossa vida diária, a auto-estima vai sendo sustentada e fortalecida.

 

 

4  IDÉIAS FALSAS QUE DESTROEM A AUTO-ESTIMA

  • Falsos Conceitos

Os pensamentos negativos e os falsos conceitos funcionam como armadilha para a auto-estima, temos de nos valer de uma programação mental positiva e estarmos atentos às vacilações emocionais e a intromissão de pensamentos negativos, mentalizando a capacidade de realização do que se deseja alcançar. Mas pensar positivo apenas não adianta nada.

O que são esses falsos conceitos?

Seria o nome mais preciso que poderíamos dar a algumas noções ridículas que atribuímos as nós mesmos. É impressionante a carga de sofrimento que carregamos e que é causada por uma mentalidade negativa e pelo abalo das emoções.

Falsos conceitos são conceitos errôneos que repetimos para nós mesmos, como se fossem verdadeiros. Em outras palavras, nossas emoções resultam dos conceitos que temos sobre as circunstâncias, os quais repetimos para nós mesmos, seja em palavras ou em atitudes. Os fatos que introjetamos podem ser verdadeiros ou falsos.

Se introduzimos em nossa mente inverdades ou mentiras, iremos crer nelas. Aqueles que afirma para si mesmo que é um idiota, que não faz nada certo, irá acreditar piamente nisso. E quem crê num determinado fato, age de acordo com ele. Nós acreditamos naquilo que dizemos a nós mesmos. É por isso que nossas crenças e falsos conceitos constituem uma armadilha para a auto-estima.

Quem está sempre dirigindo a si mesmo afirmações distorcidas,  terá sentimentos negativos, e terminará por ter uma conduta negativa.

Aquilo em que acreditamos é de extrema importância para nosso equilíbrio mental e emocional. Aquilo em que acreditamos exerce uma influência muito forte sobre nós. O que nos torna felizes não são as outras pessoas, nem os acontecimentos, nem as coisas materiais, nem as circunstâncias de nossa vida. O que nos torna felizes ou infelizes são, as noções que temos acerca de tais fatores.

Se alguém acredita que seria horrível se fosse a um jantar e ninguém conversasse com ele, toda a sua estrutura mental e emocional estará condicionada para ter reações causadas por esse tipo de situação. Quando ele se aprontar para o jantar, irá sentir-se tenso; seguindo para o local, ficará nervoso. Assim  que chegar lá irá sentir-se desajustado, começará a suar frio. Sua maior preocupação será procurar alguém para conversar, ou esforçar-se para se integrar no grupo, ou buscar a apreciação dos outros. Ele pode até não saber direito por que está tão nervoso. E provavelmente arranjará desculpas, pensando consigo mesmo: “Este tipo de festa não é para mim ; acho que sou muito acanhado.”

Os falsos conceitos encontrado na situação acima são:

  • Vai ser horrível; se ninguém conversar comigo na festa ( ou se eu não encontrar nenhum conhecido nela ).
  • Essa sensação de acanhamento e nervosismo é horrível.

A Verdade é:

  • Posso me sentir bem em qualquer lugar; não é necessário que esteja sempre conversando com alguém para me sentir alegre.
  • O acanhamento não vai me matar.

Não é errado ter essas sensações.

Sentir-se incomodado nunca matou ninguém; mas os nossos falsos conceitos nos dizem que  isso é horrível, lastimável, terrível, quando na verdade, é perfeitamente tolerável, embora não seja agradável.

Os fatos em que acreditamos e as coisas em que pensamos irão determinar nossos atos e a  maneira como nos sentimos.

Para não destruir a nossa auto-estima, temos que mudar a nossa maneira de pensar para não afetar os nossos sentimentos e a nossa maneira de agir.

Aquilo em que pensamos irá determinar nossa conduta. E quando falamos de conduta, referimo-nos não apenas às ações praticadas, mas também às nossas emoções.

Temos que estar avaliando a nossa fala interior, que são as palavras e frases que estamos constantemente dizendo a nós mesmos.  E a partir disso anular o falso conceito e tomar a deliberação de só dizer para nós mesmos, a nosso respeito, conceitos verdadeiros. Para que isto aconteça é importante que preste atenção à sua fala interior e depois tome a decisão de só falar a verdade. Passe a falar consigo mesmo e não negue as emoções que surjam. Vejamos algumas sugestões de fatos que devemos pensar, em substituição às mentiras que nos causam angústia e abrem a ferida.

– É que estou muito triste. Contudo, embora isso seja desagradável, não é o fim do mundo.

– Não é o fim do mundo porque não vou deixar que tome conta de mim. Posso aceitar o sofrimento, mas não vou me deixar dominar pala angústia, por uma tristeza profunda e pela sensação de infelicidade.

– Quem manda em mim sou eu.  Deus me criou com sentimentos, e por isso que não tenho como evitar certas emoções. Mas ele me deu também um fruto do Espírito, o domínio próprio. Então sou eu quem vai controlar meus sentimentos, e não eles a mim.

– Estou irado, é verdade. Mas posso resolver essa questão da maneira certa. Não vou mentir para mim, nem tentar sufocar minha revolta, nem ocultá-la no coração. Mas também não vou me entregar a acessos de cólera. Prefiro optar pelo autocontrole.

Então, para elevar a auto-estima, deve-se prestar atenção às frases que está dizendo a si mesma, e apresentar argumentos contra elas, e , por último, substituir os falsos conceitos por noções verdadeiras.

Falso conceito: Não consigo emagrecer. ( Fracassou uma vez, fracassará sempre )

Conceito verdadeiro: É estupidez minha pensar que não conseguiria emagrecer. É claro que consigo! Sou muito capaz de refrear meu apetite. Posso parar de comer os alimentos que engordam; posso passar a controlar as calorias. Posso emagrecer, sim!

A fala interior é o conjunto das idéias que introduzimos em nossa mente. Consiste em comunicar à nossa mente conceitos relacionados a outras pessoas, a nós mesmos, às experiências que vivemos, a Deus, à vida de um modo geral, ao futuro, ao passado, ao presente. Em suma, são as palavras e frases que estamos constantemente dizendo a nós mesmos.

Para mudar a nossa fala interior é preciso identificar os falsos conceitos que abrigamos. E a partir disso tomar a deliberação de só dizer para nós mesmos, a nosso respeito conceitos verdadeiros. Quando alguém perceber que está dizendo inverdades sobre si mesmo, deve parar imediatamente. Todos podemos romper com essa prática errada.

Temos que aprender a escutar a nossa fala interior e a dar valor às coisas que temos e ao modo como somos, assim não nos sentiremos inferiores, ou menos importantes que os outros. Senão agirmos assim, estaremos cultivando uma grande insatisfação interior, que nos impede a esforçar-nos para ser como os outros são, ou possuir o que eles possuem. Desse modo estamos sempre correndo atrás de um invisível e inatingível estado de felicidade que se acha sempre fora de nosso alcance. Sempre haverá alguém que tem mais que nós, ou é superior a nós.

Ninguém pode tornar-nos infelizes, a não ser nós mesmos. Só nós temos essa possibilidade. E nós nos tornamos infelizes pelas idéias que estamos sempre introduzindo em nossa mente. A solução é prestar atenção às frases que está dizendo a si mesma, e apresentar argumentos contra elas, e, por último, substituir os falsos conceitos por noções verdadeiras.

 

CONCLUSÃO

 

A auto-estima é sempre uma vivência íntima; é o que pensamos e sentimos a nosso próprio respeito e não o que alguém sente e pensa de nós.

Por isso, procurei refletir a importância da auto-estima para um bom e sadio desenvolvimento da pessoa. Acredito que todos encontram uma força interior que é capaz de transformá-la em autores de sua própria vida.

A verdadeira resposta está dentro de cada um, e isso requer um auto-conhecimento contínuo, uma volta constante para o seu interior, para as suas profundezas, lá onde se encontra o verdadeiro mistério da existência humana. É no sacrário pessoal que cada um vai se descobrindo e vivendo a plenitude da sua vida. Pois viver , de modo consciente, responsável, profundo, é obra daqueles que encontram em si mesmos as verdadeiras motivações e razões para a sua existência.

É um caminho que não termina nunca, pois toda chegada é sempre uma partida de uma nova e desafiadora etapa na maravilhosa empreitada humana.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BACKUS, William & CHAPIAN, Marie. Fale a Verdade Consigo Mesmo. 2º ed., Belo Horizonte,  Betânia, 2000.

BRANDEN, Nathaniel. Auto-Estima e os seus seis pilares. 7º ed., São Paulo, Saraiva, 2002.

BRANDEN, Nathaniel. O Poder da Auto-Estima. 3º ed., São Paulo, Saraiva, 1995.

BRANDEN, Nathaniel. Auto-Estima: Como aprender a gostar de si mesmo. 39º ed., São Paulo, Saraiva, 2001.

MARMILICZ, André. Auto-Estima suas implicações no cotidiano. 4º ed., Curitiba, Vicentina, 2003.